quinta-feira, 28 de maio de 2026

O JOGO PERIGOSO DA EXTREMA DIREITA: O RISCO DE UMA INTERVENÇÃO DE TRUMP NO BRASIL

Por Eudasio Menezes

Basta fazer uma breve consulta as páginas e publicações de especialistas em direito internacional para saber que o debate sobre a segurança pública no Brasil tomou um rumo partidário e geopolítico extremamente perigoso. Ao defender a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas apenas para criar uma narrativa de desgaste contra o governo Lula, o PL e a extrema direita nacional fazem um jogo político irresponsável. Eles ignoram que, ao tentar alvejar seus opositores domésticos, estão colocando em sério risco a soberania, a economia e até mesmo a vida do povo brasileiro. Essa insistência em importar o selo de organização terrorista estrangeira - FTO, na sigla em inglês - do governo dos Estados Unidos abre as portas para cenários catastróficos em solo nacional, especialmente sob a ótica de uma administração centralizadora e intervencionista como a de Donald Trump.

Ao carimbar o crime organizado com o rótulo de terrorismo sob as leis de Washington, o território brasileiro passa a ser monitorado pela Casa Branca não mais como um parceiro diplomático, mas como uma ameaça direta à segurança nacional americana. A extrema direita finge esquecer o histórico de intervenções cirúrgicas e militarizadas promovidas por Donald Trump. A política externa de Trump já demonstrou, em cenários como o Iraque e nas constantes ameaças e sufocamento contra a Venezuela e Cuba, dentre outros, que os Estados Unidos não hesitam em ignorar o Conselho de Segurança da ONU ou a autodeterminação dos povos quando decidem intervir unilateralmente.

Então, se o crime no Brasil for formalmente alçado ao status de terrorismo pelos EUA, o governo Trump ganha a brecha jurídica que precisa para - sem a necessidade de autorização do Congresso Norte-americano, e sem o consentimento do Estado brasileiro - autorizar operações de inteligência, incursões militares pontuais ou até mesmo uma invasão armada sob o pretexto de neutralizar ameaças globais. O preço dessa irresponsabilidade política do PL e de seus aliados pode ser pago com o sangue e a vida de cidadãos brasileiros em nossas periferias e portos. Os impactos práticos desse alinhamento cego com a agenda americana trariam consequências devastadoras para a economia brasileira. O sistema financeiro global é profundamente dolarizado, e a classificação de terrorismo aciona gatilhos severos de punição econômica que desestabilizariam o mercado interno:

O sufocamento econômico e o ataque ao mercado financeiro interno viriam impositivamente, com bloqueios e insegurança jurídica: ativos, contas bancárias e investimentos no Brasil que tenham qualquer suspeita de ligação indireta com áreas de influência dessas organizações seriam congelados sumariamente pelas regras de compliance americanas. Ocorreria também fuga de capital estrangeiro. Ou seja, para evitar acusações de apoio material ao terrorismo por parte de Washington, bancos multinacionais e grandes fundos de investimento aumentariam as restrições ao mercado brasileiro. O custo para operar no país dispararia, afastando investidores e sufocando o crédito. Além disso, ocorreria o colapso de setores legítimos. Como o crime organizado muitas vezes se infiltra de forma invisível na política, em órgãos institucionais de governo, em cadeias de suprimentos legítimas - como transporte e logística portuária - empresas brasileiras idôneas poderiam sofrer sanções econômicas severas simplesmente por estarem sediadas em regiões onde o Estado perdeu o controle territorial, gerando desemprego e desabastecimento em massa.

Combater as facções e o crime organizado é uma obrigação urgente do Estado brasileiro, mais isso deve ser feito de forma doméstica, com o uso de inteligência policial e organização institucional interna, com a integração da Polícia Federal, das Polícias Estaduais Militar e Civil, e Guardas Municipais em constante vigilância - isso é com a criação de mecanismos e filtros nos quais seja possível o “separação do joio do trigo”, ou seja, tirar agentes corruptos e infiltrados que atuam para o crime organizado - com investimentos estruturais e o fortalecimento das nossas instituições, e não com o uso dessa chaga social como munição eleitoral, flertando com a tutela e a bota militar de Donald Trump, em um ato de profunda traição à pátria, apenas para desgastar eleitoralmente o governo federal. Subordinar a segurança e o território do Brasil aos interesses geopolíticos de Washington não vai acabar com a criminalidade. Pelo contrário: colocará de joelhos a economia nacional, desrespeitará a nossa Constituição e entregará o bem mais precioso de uma nação: a sua soberania. E mais, o que está em jogo com essa manobra da extrema direita, na tentativa de agradar o governo dos Estados Unidos, não é apenas o combate ao narcotráfico, mas o risco real de intervenção externa e o sufocamento do nosso mercado financeiro interno.

Veja que historicamente, o Brasil adota os critérios da ONU para definir atos de terrorismo, exigindo uma motivação estritamente política, ideológica ou religiosa - o que difere da busca pelo lucro financeiro que move o crime organizado. No entanto, quando Washington aplica unilateralmente o rótulo de terrorista, o cenário muda de figura. Ao carimbar um grupo em território estrangeiro como terrorista, a legislação norte-americana passa a considerá-lo uma ameaça direta à sua própria segurança nacional. Na prática, isso abre perigosas brechas jurídicas internas para que o governo dos EUA justifique ações extraterritoriais.

Veja, estamos falando do risco concreto de: Operações de Inteligência Não Autorizadas: Ingerência direta na segurança pública interna, com agências estrangeiras operando à revelia do comando do Estado brasileiro. Intervenções Cirúrgicas e Militarizadas: Sob o pretexto de neutralizar "ameaças globais", abre-se um precedente para incursões ou até mesmo tentativas de invasão e ações militares pontuais em solo nacional, ignorando completamente a soberania do Brasil e o Conselho de Segurança da ONU. Portanto, tratar o problema da segurança interna do Brasil como uma ameaça global de terrorismo é abrir as portas para que forças estrangeiras ditem as regras - e as ações - dentro de nossas próprias fronteiras.

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