Muitos atribuem a grandes estrategistas e guerreiros da história - como o general chinês Sun Tzu ou o imperador francês Napoleão Bonaparte - a célebre máxima: “A melhor defesa é um bom ataque". Ao longo dos séculos, essa premissa serviu para nortear batalhas campais e definir o destino de impérios.
Recentemente, contudo, a frase ganhou contornos bem menos heróicos no cenário político brasileiro, servindo de escudo para o senador Flávio Bolsonaro tentar se esquivar do escândalo envolvendo áudios que mencionam cifras de R$ 134 milhões e o banqueiro Daniel Vorcaro. O problema central dessa estratégia reside em um erro crasso de contextualização: a confusão entre geopolítica militar e moralidade pública. Ou seja, quando confundem o território da guerra - bélica - com a ética e a moralidade pública. No campo dos combates físicos, na defesa de posições estratégicas ou na proteção de fronteiras, a lógica exige antecipação aos movimentos do adversário.
Neste caso, faz sentido atacar primeiro para evitar a invasão, para não ser pego desprevenido e para garantir a manutenção de nosso território. Nesta dinâmica de sobrevivência o inimigo está claramente definido. Contudo, quando transpomos essa máxima para o universo jurídico e político - especialmente em casos que envolvem suspeitas de corrupção - a engrenagem quebra. No tribunal da opinião pública e da Justiça, a estratégia de atacar quem denunciou ou focar todas as energias em descredibilizar o adversário político tem um efeito colateral devastador: ela não prova a inocência de ninguém, isso apenas aponta o dedo para o outro, como quem diz: ele também roubou.
E é exatamente isso que acontece quando uma figura pública opta pelo contra-ataque ao invés de mostrar que não tem culpa, apresentando provas e explicações transparentes sobre os fatos que lhe são imputados. Quem tenta subestimar a inteligência do cidadão, ignorando as acusações e partindo para o ataque ao oponente nesses cenários, acaba soando como uma confissão velada, operando sob a lógica perversa de que “se o outro lado também tem falhas, as minhas deixam de existir”. No fundo, essa postura transmite a mensagem de que “se roubei foi porque ele também roubou”.
Acontece que o erro do outro não anula o próprio erro. O desvio alheio não serve de salvo-conduto para a impunidade. O uso distorcido da máxima de Sun Tzu na política atual não passa de uma cortina de fumaça. Atacar o adversário para desviar o foco de áudios e transações suspeitas não limpa a biografia de ninguém; apenas reforça a percepção de que, no fim das contas, trata-se apenas de mais um envolvido no mesmo lamaçal. Para quem deve explicações ao país, a melhor defesa ainda deveria ser a verdade. O resto é apenas retórica de combate para tentar esconder o indefensável.
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