sexta-feira, 6 de outubro de 2017

SOCIEDADE POLÍTICA: REFLEXÕES NECESSÁRIAS

Montagem a Partir de Imagens da Internet
Todos os dias temos levantado questionamentos e exigido comportamentos adequados sobre questões sociais, políticas, éticas, morais, legais, cobrando dos políticos que atuem segundo nossos discursos obedecendo as leis e respeitando os princípios constitucionais elementares para a boa convivência em sociedade. Isso é errado? Claro que não. É o mundo ideário para qualquer agrupamento social minimamente civilizado. Entretanto, a pergunta que devemos fazer é: Praticamos tudo ou pelo menos parte do que estamos sempre exigindo? Para responder estas questões, alguns elementos comportamentais devem ser observados sobre os acontecimentos dos últimos anos em nosso País e que foram, tão amplamente divulgado na grande mídia e nas redes sociais.
Comecemos então pelo comportamento de parcela significativa da classe política - independente de filiação partidária - que ao estarem de algumas situações que ensejam o envolvimento com atos criminosos, onde contra eles pesam fortes indícios, seja através de vídeos, fotos, provas testemunhais e toda sorte de evidências, insistem em dizer que não passa de golpe e invenção da mídia golpista - Lula e o PT -, que os acusadores são bandidos contumaz e as provas por eles apresentadas não merecem credibilidade - Temer e o PMDB - ou que são provas forjadas e tudo não passa de armação de adversários políticos para manchar a integridade de homens honrados - Aécio e o PSDB - dentre outros tantos argumentos usados por políticos e partidos diversos.
Quanto aos membros do Judiciário, ainda é grande o manto da obscuridade e falta de transparência de suas ações, contudo, no fator corrupção e cometimento de crimes por vários de seus integrantes também não ficam imune. Temos casos desde o escândalo do Juiz Nicolau dos Santos - Juiz Lalaú - até a venda de alvarás e sentenças judiciais para criminosos internacionais, conforme foi recentemente noticiado sobre membros do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em conluio criminoso com advogado integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil, secção cearense. Casos semelhantes são noticiados também em nossas Cortes Superiores, onde são tomadas importantes decisões, que afetam diretamente toda vida social, política e econômica da Nação Brasileira.
Não é incomum ouvir, ver e ler na mídia indicativos de gravidade ainda maior, além das notícias de corrupção, favorecimento pessoal e tráfico de influência atribuídas alguns de seus membros. Ocorre que nestas Cortes, alguns ministros parecem demonstrar com primazia a capacidade de interpretar a lei e a jurisprudência em conformidade com suas convicções e interesses pessoais e políticos, em detrimento do verdadeiro sentido que deve representar a Justiça. Este comportamento é facilmente perceptível, quando vemos decisões diversas tomadas em procedimentos semelhantes, o que pelo menos em tese, demonstram fortes indicativos de que algumas decisões são tomadas em função de algo ou alguém que não os interesses da Justiça.
Outro indicativo detectado é que não são raras as vezes julgadores saem da condição de juízes imparciais, cumpridores e aplicadores de Lei, para uma posição midiática, fazendo declarações onde ficam nítidas que suas preferências pessoais se sobrepõem aos interesses da lei, da ordem e da Justiça. E isto muitas vezes aparenta que estamos diante do picadeiro de um circo ou de um grande teatro ao ar livre com uma plateia que supera os 200 milhões de espectadores.
Enquanto tudo isso acontece, as organizações da sociedade civil organizada e mesmo os cidadãos individualmente se pegam no dualismo “meu lado é bom, o teu é mal”, sem realmente ter qualquer preocupação fática em mudar a situação que está posta. Debatem quem é mais ou menos ladrão, mais não discutem uma formula clara de acabar com a roubalheira. Exigem a honestidade dos políticos e quando chega o período da eleição cobram valores e favores pessoais em troca de seu voto. Ficam indignados com aqueles que prática a violência e a criminalidade, mas recusam-se a debater com seriedade as consequências que levaram a este estado de caos.  
É caros leitores, sabemos que somos nós, na condição cidadão brasileiros os detentores do poder político supremo. Entretanto, enquanto vivenciarmos a hipocrisia e o egoísmo individual em nossa desorganização social, jamais seremos capazes de promover as mudanças necessárias que permitam a nossa Nação ser considerada soberana possuidora de uma sociedade política civilizada, e essa condição irá somente quando nós integrantes desta sociedade - desorganizada - deixarmos a condição de conduzidos e assumirmos a primazia na condução das discussões e decisões políticas. 

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