quarta-feira, 27 de maio de 2026

ALÉM DA FÉ E DA POLÍTICA: DADOS REVELAM O VERDADEIRO IMPACTO DO SÃO JOÃO DE MARACANAÚ

                                     Por: Eudasio Menezes

No debate público, é comum que grandes eventos organizados pelo poder público sejam capturados por narrativas políticas polarizadas, onde de um lado, a defesa institucional exalta o sucesso de público e do outro, a oposição carimba a festividade como gasto supérfluo. No entanto, quando nos afastamos dos discursos de palanque e analisamos friamente os dados estatísticos realizados através de pesquisas qualitativas, a realidade de Maracanaú se mostra muito mais madura, pragmática e surpreendente do que os extremos tentam desenhar. Apesar das críticas da oposição, estudos técnicos recentes têm demonstrado que a maioria dos maracanauenses aprova o São João de Maracanaú, vendo neste evento, não apenas um importante período de lazer e cultura que atrai multidões, mas uma fonte de geração de emprego e renda. E mais, o que uma análise profunda desses dados também revela vai além da superfície: mostra uma cidade que sabe separar perfeitamente a sua fé e as suas escolhas de vida do desenvolvimento econômico do município.

O primeiro ponto que chama a atenção neste estudo recente a que tive acesso é o índice de entrevistados que afirmam já terem comparecido ou pretendem comparecer ao São João de Maracanaú, é de 60%. Do outro lado, mais de 39% declararam que não frequentam e não têm a intenção de ir. Em uma análise apressada, a oposição poderia classificar esse percentual como uma massa de descontentes com a gestão pública ou com o evento. Um equívoco técnico crasso, haja vista que ao cruzarmos esse comportamento com o perfil demográfico da mesma pesquisa, descobrimos que mais de 32% dos maracanauenses se declaram evangélicos. E por questões doutrinárias e de convicção de fé, a quase totalidade desse segmento opta por não participar de festividades juninas seculares. Assim, ao subtrairmos a abstenção natural por convicção religiosa do total de pessoas que afirmam não ir ao evento - 39%, o resultado é revelador. Ou seja, a oposição cultural, logística ou política real ao São João de Maracanaú é residual, representando apenas cerca de 7% da população. Com isso vemos que a esmagadora maioria dos que não pisam na arena do show o faz por motivos de foro íntimo e liberdade de crença, e não por rejeição à existência da política pública.

Outro dado contundente identificado no estudo técnico surge na avaliação do impacto socioeconômico do evento. Quando perguntados se o São João traz benefícios para a cultura, turismo, emprego, renda e empreendedorismo em Maracanaú, uma maioria esmagadora de quase 70% responderam que sim. E é exatamente neste ponto, que reside o maior fenômeno sociológico do estudo: se apenas 60% da população consome o evento como lazer, mas quase 70% validam a sua importância econômica, significa que existe uma parcela de pelo menos 10% de cidadãos que, mesmo sem colocar os pés na festa, defendem a sua realização. Esta percepção dos não frequentadores das festividades, demonstram um sinal claro de maturidade da comunidade evangélica e dos demais não-frequentadores, provando com isso que o maracanauense é altamente pragmático, e que pode optar por não consumir as atrações musicais por conta de sua fé, mas, como reside e vive a realidade da cidade, ele enxerga e reconhece que durante o período junino o motorista de aplicativo que fatura mais, o microempreendedor que vende suas mercadorias e os milhares de empregos temporários que sustentam pais e mães de família e movimenta a economia da cidade.

Para consolidar ainda mais, e blindar o evento de ataques políticos, cabe a gestão aplicar algumas estratégias, como por exemplo a divulgação não deve ser baseada apenas nas grandes atrações artísticas, mas sim na transparência e na pedagogia da prestação de contas, demonstrando textualmente que cada real investido no ecossistema do São João retorna multiplicado para o comércio local, e que esse fomento econômico ajuda, inclusive, a oxigenar as finanças municipais para investimentos nas áreas sociais. Esse procedimento irá desmistificar ainda mais o discurso de que o São João de Maracanaú é um gasto supérfluo isolado. Tecnicamente, ele se sustenta como uma política pública de forte apelo popular e de alta relevância mercadológica. Ao unir o orgulho cultural da maioria que participa ao pragmatismo econômico daqueles que, mesmo guardando sua fé em casa, apoiam o sustento do próximo, Maracanaú dá uma lição de como o desenvolvimento de uma cidade deve estar acima de qualquer conveniência política.

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