Por: Eudasio Menezes
No
debate público, é comum que grandes eventos organizados pelo poder público
sejam capturados por narrativas políticas polarizadas, onde de um lado, a
defesa institucional exalta o sucesso de público e do outro, a oposição carimba
a festividade como gasto supérfluo. No entanto, quando nos afastamos dos
discursos de palanque e analisamos friamente os dados estatísticos realizados
através de pesquisas qualitativas, a realidade de Maracanaú se mostra muito
mais madura, pragmática e surpreendente do que os extremos tentam desenhar. Apesar
das críticas da oposição, estudos técnicos recentes têm demonstrado que a
maioria dos maracanauenses aprova o São João de Maracanaú, vendo neste
evento, não apenas um importante período de lazer e cultura que atrai
multidões, mas uma fonte de geração de emprego e renda. E mais, o que uma
análise profunda desses dados também revela vai além da superfície: mostra uma
cidade que sabe separar perfeitamente a sua fé e as suas escolhas de vida do
desenvolvimento econômico do município.
O
primeiro ponto que chama a atenção neste estudo recente a que tive acesso é o
índice de entrevistados que afirmam já terem comparecido ou pretendem comparecer
ao São João de Maracanaú, é de 60%. Do outro lado, mais de 39% declararam que
não frequentam e não têm a intenção de ir. Em uma análise apressada, a oposição
poderia classificar esse percentual como uma massa de descontentes com a gestão
pública ou com o evento. Um equívoco técnico crasso, haja vista que ao cruzarmos
esse comportamento com o perfil demográfico da mesma pesquisa, descobrimos que mais
de 32% dos maracanauenses se declaram evangélicos. E por questões doutrinárias
e de convicção de fé, a quase totalidade desse segmento opta por não participar
de festividades juninas seculares. Assim, ao subtrairmos a abstenção natural
por convicção religiosa do total de pessoas que afirmam não ir ao evento - 39%,
o resultado é revelador. Ou seja, a oposição cultural, logística ou política
real ao São João de Maracanaú é residual, representando apenas cerca de 7% da
população. Com isso vemos que a esmagadora maioria dos que não pisam na arena
do show o faz por motivos de foro íntimo e liberdade de crença, e não por
rejeição à existência da política pública.
Outro dado contundente identificado no estudo técnico surge na avaliação do impacto socioeconômico do evento. Quando perguntados se o São João traz benefícios para a cultura, turismo, emprego, renda e empreendedorismo em Maracanaú, uma maioria esmagadora de quase 70% responderam que sim. E é exatamente neste ponto, que reside o maior fenômeno sociológico do estudo: se apenas 60% da população consome o evento como lazer, mas quase 70% validam a sua importância econômica, significa que existe uma parcela de pelo menos 10% de cidadãos que, mesmo sem colocar os pés na festa, defendem a sua realização. Esta percepção dos não frequentadores das festividades, demonstram um sinal claro de maturidade da comunidade evangélica e dos demais não-frequentadores, provando com isso que o maracanauense é altamente pragmático, e que pode optar por não consumir as atrações musicais por conta de sua fé, mas, como reside e vive a realidade da cidade, ele enxerga e reconhece que durante o período junino o motorista de aplicativo que fatura mais, o microempreendedor que vende suas mercadorias e os milhares de empregos temporários que sustentam pais e mães de família e movimenta a economia da cidade.
Para
consolidar ainda mais, e blindar o evento de ataques políticos, cabe a gestão aplicar
algumas estratégias, como por exemplo a divulgação não deve ser baseada apenas
nas grandes atrações artísticas, mas sim na transparência e na pedagogia da
prestação de contas, demonstrando textualmente que cada real investido no
ecossistema do São João retorna multiplicado para o comércio local, e que esse
fomento econômico ajuda, inclusive, a oxigenar as finanças municipais para
investimentos nas áreas sociais. Esse procedimento irá desmistificar ainda mais
o discurso de que o São João de Maracanaú é um gasto supérfluo isolado.
Tecnicamente, ele se sustenta como uma política pública de forte apelo popular
e de alta relevância mercadológica. Ao unir o orgulho cultural da maioria que
participa ao pragmatismo econômico daqueles que, mesmo guardando sua fé em
casa, apoiam o sustento do próximo, Maracanaú dá uma lição de como o
desenvolvimento de uma cidade deve estar acima de qualquer conveniência
política.

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